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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Em Barrocas tradição da casa de farinha é passada de geração em geração. Conheça esse processo histórico!

 

Familiares e amigos se reúnem em volta da pilha da raiz de mandioca - Foto: Victor Santos
Com a correria do cotidiano, os avanços tecnológicos e as mudanças nos hábitos das famílias, algumas tradições seculares tendem a se perder no tempo. Preservar hábitos comuns do passado, é também uma forma de resgate cultural, mantendo vivo hoje costumes como o trabalho coletivo. Um exemplo, são as casas de farinha, que produzem alimento para dezenas de famílias nordestinas. 

Em Barrocas, município localizado no Território da Sisal da Bahia, apesar da escassez da matéria prima, mesmo com a redução no cultivo da mandioca, algumas comunidades seguem preservando o modo tradicional do processo de produção do alimento típico da região, a farinha. As antigas casas de farinha, são lugares onde praticamente todo processo é feito manualmente, por mãos e braços de moradores da comunidade, que transmitem a tradição de geração em geração num exemplo de união. 

Casa de Farinha criada pelo casal Zezito e Luzia (in memoriam)
No bairro do Cedro, encontra-se uma das casas de farinha mais antigas do município de Barrocas. Ela fica na conhecida Rua do Belisco, limite entre a Boa União e o bairro mencionado. Datada de mais de 80 anos, o local é preservado pelos filhos do casal Zezito e Luzia (in memoriam). Neste mês de agosto é o período de colheita da mandioca, hora então de reabrir as casas de farinha, de onde é produzida a farinha, além da goma para o beiju seco e beiju molhado. 

Dona Maria de Virgulino tem experiência no serviço da raspa da raiz
A conhecida Maria de Virgulino, é filha do casal fundadores da casa de farinha, onde ela aprendeu com os pais todo processo que relembra fazer desde a infância ao lado dos irmãos e vizinhos. Com 71 anos, trata com prioridade a raspa da mandioca, trabalho que executa com precisão. Maria conta que busca preservar os ensinamentos e todo trabalho é praticamente idêntico ao feito pelos seus pais: "Minha vida foi aqui, antes era a casa dos nossos pais, depois se mudaram e aqui ficou como casa de farinha. Antes Guerre (irmão) dormia em cima do forno, era a cama dele", lembrou. 

Mulheres e crianças sentam ao redor do amontoado de mandioca para fazer a raspagem da raiz, uma atividade antiga que segue reunindo os moradores da comunidade, momento também de descontração, conversas e risos, assim, o tempo passa mais rápido durante o trabalho que é feito em duplas, uma faz a 'meia' e a outra concluí a raspa. A 'meia' apelido dado ao ato de raspar a mandioca até a metade para a vizinha sentada ao lado, raspar a outra parte. 

O senhor Guerre e o amigo Piano trabalhando no processo do moagem da raiz de mandioca

Também filho do casal, o lavrador José Oliveira Silva, 73 anos, é responsável pelo cuidado e preservação do espaço e equipamentos antigos. O senhor Guerre, como é conhecido, praticamente nasceu dentro da casa de farinha. Na infância a cama era onde hoje está o forno da casa de farinha. Antes de todo equipamento ser instalado, o local funcionava como a casa da família, o tempo passou e se mudaram para outra residência, ficando exclusivo para o processo que antigamente durava vários meses.

O banco de roda, instrumento instalado com um triturador para extrair a massa da mandioca é movimentado por Guerre. Esse é um trabalho braçal e repetitivo para mover a alavanca que empurra as raízes até as lâminas. O equipamento, segundo Guerre, tem mais de 70 anos na casa de farinha da família. O banco de roda hoje é movido a energia elétrica, mas nem sempre foi assim: "na época rodávamos com as próprias mãos uma manivela de madeira bem pesada, não tinha isso de motor, era no braço", relembrou Guerre. 

Etapas do processo de produção da farinha de mandioca
Analice Ferreira, neta dos fundadores, descreveu que essa era uma atividade comum no passado entre as famílias: "meu tio Guerre lembra que antigamente toda família plantava mandioca, eram três, quatro meses na casa de farinha, e nesse modelo aqui, uma família ajudando a outra e cada uma tirava sua parte", relatou ao lembrar que a produção acabava sendo compartilhada entre as famílias que trabalhavam no processo.

Apesar da matéria-prima vir da agricultura familiar, é possível observar uma queda considerável no número de plantações, consequente se reduz a procura pelas casas de farinha, que cada vez mais mecanizam o processo com a falta de famílias para produzir.

Antiga prensa de farinha - Fotos: Victor Santos
A massa extraída da raiz da mandioca precisa estar seca para então ser peneirada, e para isso a antiga prensa manual da casa de farinha faz o trabalho de comprimir o material que veio moída do banco de roda, extraindo o líquido.. Antes de abaixar a prensa, o material é colocado com as mãos dentro de caixas de madeira revestidas com saco de linhagem, este método envolve toda massa para que o máximo do líquido da mandioca saia e ela possa ir pra peneiragem.

Com o processo de raspagem manual, extração da massa da mandioca no banco de roda, a prensa que tira todo líquido da mandioca, a etapa nas fotos é a peneiragem para produzir a goma do beiju, resultado de um trabalho coletivo de homens e mulheres que do mutirão se reuniram no domingo (16) para finalizar a farinhada.

No coucho de madeira são colocadas as raízes já raspadas para em seguida serem trituradas

Da Redação JNV - Por Victor Santos
Colaborou: Rubenilson Nogueira

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